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BNDES: não há evidência de que excesso de caminhões motivou greve

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) publicou ontem (14) os resultados de um estudo em que procurou investigar se o aumento da frota nacional de caminhões influenciou a deflagração da greve ocorrida no mês passado. Não é possível estabelecer essa relação, ao contrário do que tem sido defendido por alguns economistas, conclui a instituição financeira.

A pesquisa, intitulado O BNDES e a crise dos caminhoneiros, buscou responder se o principal fator por trás da paralisação teria sido o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que vigorava entre 2009 e 2015 e oferecia crédito para a aquisição de caminhões. Essa tem sido uma hipótese lançada por alguns economistas críticos da atuação do banco, para os quais houve elevação artificial da frota no país e, consequentemente, derrubada do valor do frete.

O argumento que coloca o BNDES no centro do problema costuma ser ilustrado pelas taxas de juros nominais de 2,5% ao ano (desconsiderando o spread), praticadas entre setembro e dezembro de 2012, no âmbito do PSI. Levando em conta que a inflação naquele ano foi de cerca de 6%, o programa implicava uma taxa real de juros fortemente negativa, o que estimularia a aquisição de caminhões novos. Cabe então analisar se esse movimento efetivamente derrubou o preço do frete, propõe o estudo.

O levantamento se valeu de dados da Agência Nacional de Transportes (ANTT) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ele mostrou que, apesar das condições favoráveis de financiamento, a produção de ônibus e caminhões apresentou uma retração de 38% em 2012.

Além disso, entre 2011 e 2017, a taxa de expansão média da frota de caminhões foi de apenas 2,8% ao ano e há uma estabilidade nos últimos anos. A pesquisa aponta ainda que o preço relativo do frete não teve a esperada queda. Na verdade, o movimento foi errático com o passar dos anos, sendo que seu valor no período 2014/2016 é superior ao preço vigente no período 2010/2011.

Diesel

Para o BNDES, o desempenho frustrante da atividade associado ao aumento dos custos recentes seria uma hipótese mais promissora para tentar explicar a crise. O banco aponta que a greve foi consequência das sucessivas elevações no preço do diesel, que consumiu o pequeno espaço disponível de ganho dos caminhoneiros até um ponto crítico que desencadeou a paralisação.

A dinâmica dos preços do diesel, é bom frisar, decorreu tanto das elevações nos preços internacionais do petróleo, quanto da depreciação da taxa de câmbio, que estavam na base da política de preços até então praticada pela Petrobrás, registra o estudo.

Edição: Sabrina Craide

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