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Câmara de Goiânia discute retomada das aulas presenciais

A primeira reunião para reunir informações e formular um diagnóstico sobre uma possível retomada das aulas presenciais da educação infantil, em Goiânia, proposta pela vereadora Aava Santiago em conjunto com o vereador Mauro Rubem, que são presidentes, respectivamente, das Comissões de Educação, Ciência e Tecnologia, e de Saúde e Assistência Social da Câmara Municipal de Goiânia foi realizada na última terça-feira, 12. Educadores, especialistas, profissionais da Saúde e representantes sindicais das categorias expuseram a real situação da comunidade escolar diante da pandemia durante o ano de 2020 e, ainda, sugeriram soluções mediante protocolos rígidos para a retomada das aulas presenciais na educação infantil. Há de ser considerado esse retorno em função do agravamento da crise econômica e a volta das mães ao trabalho fora de casa. O relatório será tornado público logo que for encaminhado ao Executivo. 

Segundo a vereadora Aava, incluir profissionais da educação no grupo prioritário no calendário de vacinação – que deve começar em fevereiro, de acordo com informações do Ministério da Saúde -, é uma das grandes urgências na política de enfrentamento ao coronavírus. “Estamos trabalhando para compreender todos os diagnósticos diante da urgência de retomada, simultaneamente a isso, elencando todos os riscos envolvidos com um cenário de volta às aulas sem vacina”, afirmou a vereadora. A parlamentar também destacou que são vários os problemas já vividos pelos profissionais da área, como precarização, ausência de equipamentos, de acesso à internet e alimentação balanceada já precedia a pandemia. “Isso também exige soluções urgentes”, ressalta. 

Durante o encontro realizado na sala de comissões da Casa, que também foi feito de forma remota e reuniu cerca de 100 participantes, foram expostos diversos questionamentos acerca da capacidade da Prefeitura conseguir disponibilizar todos os equipamentos de segurança aos profissionais que estarão em sala de aula e nas áreas administrativas, se houver o retorno presencial. Os educadores reforçaram que todos os equipamentos de EPIs são indispensáveis para diminuir os riscos de contaminação não só entre eles, mas também para preservar os alunos e suas famílias. 

A jornalista, pedagoga e professora Tetê Ribeiro, que ainda vai compor oficialmente o time de especialistas do grupo de trabalho montado pela vereadora para analisar as possibilidades de retorno presencial e também os mecanismos hoje disponíveis para as aulas on-line, por meio do sistema Ambiente Virtual de Aprendizagem Híbrida (AVAH), deu sua contribuição como professora da rede e por estar por dentro das problemáticas que perpassam, neste período de pandemia, as questões complexas para adaptação de todos, poder público e sociedade. “Não tenho dúvidas dos esforços da secretaria municipal de educação, que possui profissionais gabaritados para direcionar ações e o Avah é um avanço, mas tenho mensagens de professores que não se adaptaram com o sistema, de mães de alunos que também estão com dificuldade para manuseio e, ainda, a falta equipamento e internet em muitas casas. Como vai ficar a vida escolar dessa criança se ela não está conseguindo aprender? Ela está sendo ouvida? Quando conseguiremos ouvir o que os nossos alunos sentem, sabem, querem saber? Tudo isso precisa ser analisado minuciosamente neste trabalho”, destacou a professora. 

Objetivo do GT 

O objetivo principal do Grupo de Trabalho (GT) é elaborar um documento com análises e relatos de profissionais das áreas da educação e da saúde, bem como mães, pais, estudantes, dentre outras pessoas que integram a comunidade escolar, sobre a realidade que têm enfrentado diariamente no contexto da pandemia. O documento será disponibilizado para acesso amplo da sociedade goianiense, bem como apresentado à Secretaria Municipal de Educação e Esporte de Goiânia (SME), como um material que expõe a situação complexa da educação na capital nessas primeiras semanas de 2021. 

Segundo a coordenadora do GT e responsável pela elaboração do relatório, a doutoranda em literatura pela Universidade de Brasília (UNB) Maria Clara Dunk, a conjuntura é catastrófica. “Apesar de os sistemas educacional e de saúde brasileiros enfrentarem dificuldades históricas, não se pode ignorar que os abismos se aprofundaram com a pandemia e a negligência do governo federal e sua política negacionista”, considerou Dunk. 

Para somar esforços, a equipe da vereadora Aava também está fazendo consultas diárias à comunidade escolar, por meio de conversa direta com profissionais da rede e os diretores das escolas para estabelecer um diálogo contínuo com os responsáveis pelas instituições para identificar demandas específicas e locais. Os principais desafios relatados têm sido o manuseio do sistema online e também a sobrecarga de trabalho. 

A vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde do Estado de Goiás (Sindisaúde-GO), Luzinéia Vieira dos Santos, traçou um panorama da situação calamitosa em que se encontra o sistema de saúde no Estado, com o crescimento da taxa de adoecimento da população e a pouca disponibilidade de leitos para tratamento. Segundo ela, os hospitais de campanha foram desativados e a estrutura de saúde para atender à demanda de pacientes de covid está reduzida. “Há uma população de 160 mil idosos em Goiás e até o momento foram anunciadas 140 mil doses de vacina para atender a esta população e os profissionais de saúde, que também são prioridade no plano de vacinação”, relatou. 

Luzinéia propôs ao grupo a inclusão de representantes dos sindicatos da Saúde e da Educação no Comitê de Operações Estratégicas (COE) municipal, onde não possuem cadeira, para que possam levar as demandas sobre a disponibilidade de vacinas e, ainda, que toda a sociedade pressione para que a vacinação seja realizada, antes que seja feita a pressão para o retorno às aulas presenciais. 

Compôs a mesa, presencialmente, os vereadores e presidentes das Comissões de Educação, Ciência e Tecnologia e de Saúde e Assistência Social, a vereadora Aava Santiago e o vereador Mauro Rubem, respectivamente; os membros do Grupo de Trabalho, professora Kátia Flávia Fernandes, a doutoranda Maria Clara Dunck e a professora Teresa Cristina Ribeiro; a chefe de gabinete do vereador Mauro Rubem, Ana Rita Castro; a secretária-geral Ludmylla da Silva e o secretário de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Napoleão Batista; a vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde do Estado de Goiás (Sindisaúde-GO), Luzinéia Vieira dos Santos; e representante da Associação de Egressos e Egressas da Universidade Federal de Goiás, Eliomar Pires Martins, Mais de 80 diretores de escolas participaram virtualmente.

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