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Clínicas de diálise relatam preços de soro fisiológico três vezes maiores que o máximo permitido

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Romilson: foram identificados problemas de custos em apenas seis medicamentos

Os representantes de clínicas de diálise reclamaram aos deputados da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara de preços de soro fisiológico três vezes maiores que o máximo permitido pelo governo. O presidente da Associação dos Centros de Nefrologia de Santa Catarina, Tarcísio Steffen, disse que o preço saiu de R$ 4 em outubro do ano passado para R$ 22 em abril deste ano, chegando a mais de R$ 30 em cotações recentes.

Steffen contou que a falta do soro, usado principalmente para lavagem dos equipamentos, tem feito com que as clínicas comecem a diluir cloreto de potássio em água destilada.

“Nós estamos voltando aí em uma prática de 20 anos atrás num ambiente que não é controlado. Gera insegurança para o paciente e para nós que trabalhamos no dia-a-dia, que já temos vários riscos, que tivemos vários problemas na pandemia, e essa situação acaba agravando”, disse. Tarcísio Steffen lembrou que os pacientes precisam fazer hemodiálise três vezes por semana para poderem sobreviver.

Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Soluções Parenterais, André Ignácio, disse que a indústria não identificou problemas de abastecimento e que os preços acima do máximo devem ser denunciados.

Ele afirmou ainda que os custos de produção aumentaram, principalmente as embalagens plásticas, um produto derivado de petróleo; mas explicou que o preço máximo permitido hoje ainda cobre as despesas. Segundo ele, o preço da embalagem, que é o maior custo da indústria, subiu 190% de 2019 para cá.

Transparência

O secretário-executivo da Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos,  Romilson Volotão, explicou que foi feito um estudo com 862 apresentações de medicamentos e que foram identificados problemas de custos em apenas 6. Para estes produtos, os preços foram liberados até o final do ano. A Câmara de Regulação faz parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para Yussif Mere Junior, presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes, está faltando transparência, porque o problema existe e ninguém sabe a causa:

“O que falar de um mercado como esse? Nós temos regulação de mercado ou não? Nós precisamos de atuação”, afirmou.

Romilson Volotão se comprometeu a investigar com rigor as denúncias de sobrepreço que já foram formalizadas pelas clínicas à Anvisa.

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Carmen Zanotto: faltam dipirona, antibióticos e contraste para exames

Falta de insumos

A deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) disse que também está ocorrendo falta de produtos como dipirona, antibióticos e contraste para exames:

“Pouco se fala sobre a falta dos contrastes. E, repito, nós estamos falando de cateterismo cardíaco. Nós estamos falando de analgésico e de antitérmico, que é a dipirona. Nós estamos falando – graças a Deus teve reabastecimento pelo Ministério da Saúde – de imunoglobulina humana. Mas passamos aí momentos de muita apreensão e angústia com pacientes com tratamentos interrompidos por falta deste insumo”, disse a deputada.

Imposto zerado

A diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Ediane Bastos, afirmou que o governo também tem enfrentado problemas nas suas compras de medicamentos e que a situação está sendo monitorada. Ela disse que alguns produtos tiveram o imposto de importação zerados, entre eles as embalagens de soro fisiológico.

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