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Conheça a história da maior festa de Aparecida de Goiânia

*Por Rodrigo Augusto

O “Aparecida é Show”, que começa na noite desta quarta-feira,4, em Aparecida de Goiânia, foi criado com objetivo de integrar diferentes regiões da cidade. Com o crescimento geográfico e demográfico expressivos e desordenados no início da década de 1990, os administradores perceberam que as celebrações em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, realizadas na Praça Matriz estavam ficando pequenas frente ao desenvolvimento local.

“A festa antigamente era muito pequena, com as famílias do Centro. Era uma espécie de quermesse em homenagem à padroeira”, diz o publicitário Célio Rezende.

Os amigos Marlúcio Pereira e Ricardo Teixeira, que é filho do ex-prefeito Norberto Teixeira, se encantaram com o “Cowboy do Asfalto” realizado no estacionamento do Shopping Flamboyant, em Goiânia. “Fomos um dia e eu disse para o Tatá que iríamos fazer algo parecido em nossa cidade, pois ficamos encantados com aquilo tudo”, conta Marlúcio.

Início

Em 1994, a primeira edição do “Rodeio Show” foi realizada na área onde foi construído o Hospital de Olhos, no Centro. “Só tivemos um show da banda Albatroz porque o recurso era pequeno. O locutor foi Tony Carreiro”.

Um ano depois, em 1995, a festa ainda tímida foi transferida para o canteiro central (ilha) da Avenida Independência. A famosa dupla sertaneja Milionário e José Rico animou a noite. “Foi emocionante porque Milionário e José rico fizeram uma homenagem muito bonito ao piloto Ayrton Senna. Também tivemos rodeio”, recorda.

No ano seguinte, a festa foi realizada em outro local. No terreno onde foi construído o Aparecida é Shopping, foram montados o palco e também a arena de rodeio. Em 1996, a atração foi a dupla Gian & Geovani. No ano seguinte, o então “Rodeio Show” foi realizado no mesmo local com dois shows.

“A história do antigo “Rodeio Show” conta um pouco da história do desenvolvimento de Aparecida. Observe que os lugares em que a festa foi realizada estão todos ocupados. No Centro, temos o Hospital de Olhos; na Avenida Independência, uma grande praça e cartão postal; onde antes era mato, o Aparecida Shopping”, pontua o prefeito de Aparecida, Vilmar Mariano.

Evolução

Em 1998, a Prefeitura de Aparecida desapropriou a área onde foi construído o Centro Cultural José Barroso, que atualmente está inserido dentro do complexo da Cidade Administrativa Maguito Vilela. “Em 45 dias, o ex-prefeito Ademir Menezes construiu os dois galpões, banheiros e murou toda a área. Foi uma correria muito grande e a bilheteria não ficou totalmente pronta”, diz o ex-deputado estadual Marlúcio Pereira.

Quem também mantém lembranças vivas dessa época é o publicitário Célio Rezende. “O Ademir trabalhou os 45 dias até tarde da madrugada na organização para que tudo ficasse pronto. O muro não havia nem secado direito, mas a festa foi realizada”, diz.

Em 1999, foram realizados vários shows, entre eles, um com a dupla Crystian & Ralf além do tradicional rodeio. “Nesse ano, ganhamos o Troféu Arena como festa do interior que mais cresceu naquela época”, destaca Marlúcio.

“No começo, as famílias mais tradicionais eram contra a realização de um evento tão grande. Diziam que iria acabar com a festa da padroeira que o evento seria apenas profano sem nenhuma ligação religiosa. O Ademir construiu os dois galpões para que pudesse continuar sendo realizada a festa religiosa, resolvendo o problema com a comunidade católica”, relembra Célio Rezende.

No ano 2000, a festa de Aparecida de Goiânia despontou no cenário nacional. Foi eleita a terceira maior do segmento, realizando grandes shows e diversas provas de montaria, laço e três tambores. “Trouxemos os 12 últimos campeões de Barretos para Aparecida”.

Já inserida no calendário oficial do aniversário de Aparecida, a festa continuou crescendo nos anos 2000. Cresceu tanto que, em 2005 e 2006, foram duas semanas de comemorações. A última deles coincidindo com o início da já tradicional Exposição Agropecuária de Goiânia. 

“Em 2007, eles me chamaram em Goiânia e nos pediram para mudar a data da festa de Aparecida porque estava batendo com o início da pecuária de Goiânia. Explicamos que não teria como mudar porque era aniversário da nossa cidade. A festa de Aparecida havia crescido tanto que incomodava a de Goiânia. Teve um ano que não deu ninguém na primeira semana lá e a nossa estava lotada. ”, conta orgulhoso Marlúcio Pereira.

Nas administrações do ex-prefeito Maguito Vilela, a festa também foi realizada com grandes atrações, presenteado os aparecidenses na semana do aniversário de Aparecida. “O foco principal durante alguns anos não era as festas, mas as obras que foram feitas em nossa cidade”. 

Entrada gratuita

Em 2017, o ex-prefeito Gustavo Mendanha inovou ao realizar a festa com entrada gratuita. Com grandes shows e provas de rodeio, o “Aparecida é Show” também foi sucesso de público, em 2018 e 2019, sem cobrança de bilhetes. Agora, em 2022, está de volta após o período pandêmico, presenteando os quase 600 mil habitantes com grandes atrações e novamente sem custo. Nesta edição, o expectador precisa apenas doar dois quilos de alimentos não perecíveis.

Integração

Ainda de acordo com o publicitário Célio Rezende, o Jubinha, Aparecida seguia crescendo de forma acelerada e com grandes conglomerados urbanos espalhados em diferentes regiões. Graças à construção do Centro Cultural José Barroso, que conta com dois grandes galpões e área aberta com espaço para palcos e arena de rodeio, a festa continuou crescendo. Ele também destaca uma curiosidade da época.

A festa também foi utilizada como meio de integração entre a população. Célio Rezende lembra ainda que não haviam opções para que moradores de diferentes regiões pudessem se confraternizar. “Aparecida era um amontoado de pessoas espalhadas em diferentes regiões. Naquela época, por exemplo, os moradores do Garavelo não sabiam o que acontecia e não conheciam ninguém do Santa Luzia, que fica do outro lado da BR-153”, explica.

Estudo da socióloga Virginia Holland apontou que um grande evento poderia diminuir a distância entre moradores da mesma cidade. “A pesquisa qualitativa sugeriu uma grande festa para que os moradores pudessem se integrar. Não era uma comunidade, era um monte de gente espalhada”, completa.

Religião

Jubinha também pontua outra situação envolvendo a religiosidade do povo de Aparecida. Com crescimento das festas e do antigo “Rodeio Show” a comunidade protestante questionou o ex-prefeito Ademir Menezes sobre porque não haviam atrações evangélicas na festa. “O ex-prefeito resolveu rapidamente o problema. Deu a abertura da festa e também um show para os evangélicos. Desde então toda edição tem show evangélico e a iniciativa foi copiada no Brasil inteiro”.

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